Monday, April 10, 2006

Ferrado, Falido, mas Feliz!

E aqui estamos nós! Vivos, inteiros e felizes depois do Campari Rock! E, sinceramente, a festa foi boa, muito boa, mas boa MESMO! Das três da tarde até umas três e pouco da manhã, puro som! E de prima!!
Diferente de outros festivais de rock, não houve uma banda ruim nesse. Quer dizer, não para mim. Os primeiros shows foram mais voltados pro eletro e techno, de certa forma, o que pra muita gente é motivo forte o bastante para se torcer o nariz. Mas não pra mim, digo novamente! Adoro som eletrônico, som mais dançante, ainda mais quando a batida é bem forte, estilo Industrial, EBM ou derivados. E foi justamente esse tipo de som que tivemos nos primeiros shows, bem como pra fechar a noite.
Além disso, ainda conheci pessoas legais do Rio Grande do Sul, mais precisamente de Porto Alegre. Pessoas que, espero, vejam em breve essas mal escritas linhas. Mal escritas sim, mas bem empolgadas. Revi pessoas que não via há muito, e ainda por cima passei um domingo ótimo em Caraguatatuba! Ou seja, gastei uma grana fenomenal nesse fim de semana, mas valeu a pena!
O ambiente onde foi feito o show, ao ar livre, ficou bem bacana. E, pasme, não teve aperto nem empurra empurra em nenhum momento de qualquer show, o que me agradou ainda mais!
Ah sim, e o mais importante... fiquei na grade em TODOS os show! Quer dizer... todos? Não... em QUASE todos! Mas esse caso eu vou falar depois... hora que eu chegar nos shows onde isso aconteceu, ok!
Bem... vamos fazer um relato (bem pessoal, como sempre) sobre o CAMPARI ROCK!

Montage – Eu não peguei o show desses caras do Ceará desde o começo, mas devo admitir que o som deles me agradou, pra não dizer que impressionou. Nunca tinha ouvido falar de uma banda que tocasse EBM no Brasil, e acho que essa nem era a proposta do Montage, mas eles chegaram bem perto disso. Batida forte, som agressivo, um vocal pra lá de berrado (mas sem ser esganiçado ou desagradável) e uma boa presença de palco, apesar do vocalista parecer uma bichinha fugitiva de alguma noitada do Madame Satã. Mas, a despeito da aparência em si da banda (que não interessa porra nenhuma, no final das contas), o show foi bom! Deu realmente vontade de carregar os sons dos caras, que é muito legal pra se curtir uma farra gótica, diga-se de passagem. Acho até que uma das influências da banda seja realmente o EBM, particularmente o Nitzer Ebb, mas vou ficar apenas no chute. Mas uma coisa que eu não entendo... por que diabos aquele vocalista falava “merci” no final de cada música? O cara é brasileiro, não é? Ou será que ele quer mostrar pra todo mundo que sabe falar francês?
A única coisa ruim do show: poderiam muito bem ter colocado o show deles de noite. Ia combinar bem mais!

Digitaria – Quando eu penso em Minas Gerais, musicalmente, falando, eu me lembro de um dos maiores celeiros de Black Metal do Brasil. Vou mencionar apenas duas bandas de metal que saíram de Minas, dentre várias outras: Sarcofago e Sepultura. Porém, ultimamente, esse cenário meio que mudou. Pato Fu (muito bom) e Jota Quest (muito ruim) saíram de lá também. Mas eu ainda não tinha ouvido falar de uma banda de eletrônico vinda de Minas Gerais. E fui conhecer o Digitaria, o segundo show do dia. E foi FANTÁSTICO! Uma mistura de Kraftwerk, com Atari Teenage Riot, e uma pitada de Industrial e Techno. Voilá! Temos o Digitaria, um som do caralho! Além de um som muito violento, dançante e pulante, ainda por cima a presença de palco dos seus integrantes é um show à parte. Totalmente empolgados, com vontade de mostrar o som ( som esse, aliás, que até lhes rendeu um contrato com uma gravadora alemã especializada em som eletrônico), e com uma mocinha que era uma belezinha! Ou seja, um show competente, impecável e empolgante!
Mas novamente, repito a reclamação feita no show do Montage: por que diabos não deixaram o show deles pra de noite, pra empolgar pra valer a galera? Ia ser bem mais justo com eles, na boa!

Walverdes – O Sul do país tem rendido bandas muito, mas muito boas no cenário do rock independente. Cherry Bombs, Forgotten Boys, os caras do Cachorro Grande, enfim, várias bandas vindas do sul do país tem brilhado forte. E o Walverdes é, com certeza, uma das que tá aparecendo bem forte, e com todo o merecimento. Som agitado, forte, rock de prima mesmo! Lembra um pouco Nirvana, mas com mais qualidade musical. Aliás, a galera do Rio Grande do Sul que tava lá no Campari Rock tava esperando com certa ansiedade o show deles. Pelo visto, no sul os caras tão virando reis! E com merecimento! Abriram com estilo a parte rock do festival.
Guardem bem o que eu digo: essa banda vai estourar forte logo logo. E quando estourar, que se segurem o Cachorro Grande! Vão perder o título de banda preferida dos sulistas!

Ludovic – Sinceramente? Não esperava muito dessa banda não. Um estilo meio... batido... parecia ser um rock meio... batido. Ainda mais quando o apresentador das bandas falou que eles faziam um “rock sem concessão”. Porra, isso tá pra lá de batido! E o show do Ludovic (aliás, o que devem ter zoado com os caras devido à uma certa confusão com Ludov não deve ter sido brinquedo) foi, em certa medida, batido. O vocalista, breaco para cacete pelo visto, se tacava no chão, rolava, esganiçava o vocal, o resto da banda encostava os instrumentos perto das caixas de som, enfim, coisas que eu já tinha visto antes. Sim, isso mesmo, batidas!
Porém... não é que os caras conseguem empolgar legal? Não por mostrar alguma super novidade, mas sim por fazer muito bem o mesmo! Rock virulento, meio sujão, cheio de palavrões, enfim, um rock rock mesmo! Sem firulas! Só por serem autenticamente sujões, os caras do Ludovic já ganharam o meu respeito. E, apesar do som não ser nenhum tipo de surpresa (novamente me lembrou Nirvana), os caras conseguem fazer um som agradável pra cacete.
Aliás, o esporro do show: o vocalista do Ludovic falou que tinha gente na platéia que falou, enquanto o maluco zanzava por entre o povo, que o que interessava mesmo eram as bandas internacionais, porque rock nacional não presta. Espero que esses carinhas, depois de terem ouvido Ludovic, Walverdes e as demais atrações brasileiras da noite, tenham mudado de idéia.

Cachorro Grande – Pela primeira vez eu iria ver um show ao vivo dos caras do Cachorro Grande! Desde o ano passado queria conferir as palavras de amigos e amigas minhas, que falam muito bem do som deles ao vivo. Claro, já conhecia alguma coisa dos Cds, mas ao vivo é sempre diferente. E não é que os gaúchos beatlemaníacos realmente mandaram bem pra caralho no palco? Claro, o som deles é Beatles da ponta do dedo até a raiz dos cabelos, com uma certa influência de outras bandas da época (Rolling Stones, The Who, etc), mas quem disse que ser influenciado pelos Beatles é ruim? Pra mim é sinal de inteligência!
O show dos caras é bom, muito bom mesmo. Seria melhor aproveitado por mim se eu conhecesse as músicas dos Cds deles, é claro, mas deu pra curtir, e finalmente vou criar coragem e gravar os trabalhos deles! No entanto, uma coisa me chamou a atenção no show: pode até ser que eu tenha curtido, mas pelo visto os caras do CG não curtiram tanto não. A não ser que tacar a bateria no chão no final do show seja uma marca registrada deles, além das reclamações de audio que o vocalista fez durante o show inteiro. Aliás, reclamando do retorno de som da bateria. E sim, ele estava bem bravo. Deu pra notar direitinho os palavrões que ele falou e que ninguém escutou. E não foram poucos!
Por fim, um comentário que pode ser muito maldoso: me desculpa quem gosta, quem é fã e quem acha os caras bonitos mas, exceção feita ao baixista (que é o mais bonitinho da trupe) os demais membros da banda são MUITO FEIOS!! Mandam bem pra caralho no som, mas são feios de doer! Não é nada pessoal não, juro!

Mission of Burma – Uma das incógnitas do show. O que teve de gente que me falou que o som deles é bom antes de eu ir no show, cara, não tá no gibi! Porém, eu resolvi ver pra crer. E a única coisa que eu posso dizer é: POR QUE PORRA EU NÃO PEGUEI UM CD QUE FOSSE DESSES COROAS!?!?!?
Minha nossa, o show deles é pra lá de bom, é muito bom, é ótimo!! Os coroas tão com tudo mesmo, tem uma vitalidade do caralho, dá para notar o tesão que eles tem ao tocar, super simpáticos com a platéia (até tiraram foto da platéia durante o show), fora que são bem politizados (falaram mal do Bush, porra)!
Musicalmente, dá para notar direitinho as bandas que influenciaram: REM, com certeza, além de, na minha opinião, terem dado umas aulas de distorções para os caras do Sonic Youth. Em algumas músicas deu pra notar direitinho o som das guitarras distorcidas que são marca registrada do Sonic Youth. Foram realmente uma influência para o rock alternativo dos anos 90, bem como para o college rock (um “movimento” que surgiu nos anos 90, onde o REM entrou na esteira). Em resumo, uma banda completa!
Aliás, pra mim foi o melhor show da noite! Palmas para os coroas, que mostraram muito bem o que é o bom rock independente! E o vocalista do Ludovic que assine embaixo, pois ficou babando o tempo inteiro na apresentação dos caras!

Nação Zumbi – O Nação Zumbi é uma banda que apenas recentemente comecei a curtir pra valer. Claro, não a ponto de carregar um Cd inteiro deles, longe disso, mas se tocar numa farra eu não vou torcer o nariz. Muito pelo contrário, vou pular e zoar pra caralho, porque o som deles, uma mistura de maracatu com rock, é muito bem feita. A batida forte dos tambores combina perfeitamente com um rock misturado com som eletrônico, uma das marcas registradas do movimento conhecido como “Mangue Beat”, do qual a banda foi uma das precursoras.
Quanto ao show, foi bom, mas não me encantou tanto. Algumas músicas, sinceramente, me pareceram meio chatinhas. O show ficou empolgante pra valer quando eles cantaram as clássicas, bem como Walls of Judah (uma das minhas preferidas desse Cd novo). De resto, foi um show competente, mas apenas isso. Não me encantou completamente, mas deu pra manter a empolgação. Afinal de contas, ainda tinha coisa por vir.

Ira! - Acho que o show do Ira! foi, no mínimo, uma aposta arriscada. Eu mesmo, durante o show, achei que os caras tavam meio... passados... para participar de um festival daquele. Na boa, eu adoro o som do Ira!, principalmente as músicas mais antigas (as músicas do Cd novo, sinceramente, me soaram tremendamente entediantes, exceto pela Flerte Fatal), mas o Ira!, atualmente, tem um públic bem específico, e não é o público que estava lá no Campari Rock, que era em sua maioria, de molecada.
De todo jeito, a banda fez o que deu pra fazer. E foram bons, apesar de eu ter certeza de que, durante o show, o Nazi deve ter cheirado umas ali, bem na frente do palco, quando ele encostava o microfone na boca e fechava as mãos em torno do rosto, como se estivesse segurando o microfone. Sério, o jeito que ele ficou empolgado depois de fazer isso, logo no começo do show, foi espantoso! Deve ter tido um pozinho mágico ali!
No final das contas, o show foi nada mais do que o esperado: durantes as músicas novas, um público mais chocho. Durante os velhos sucessos, a galera se empolgando. E, por fim, uma mensagem do Nazi que eu adorei, e que eu vou escrever aqui mais ou menos como eu me lembro: “Espero que esses garotos que hoje escutam rock and roll não envelheçam e passem a escutar apenas... MPB cabeça!”
Aliás... o Edgard Scandurra, muito puto da vida com os jornalistas (acho que eles andaram falando que o Ira! era uma banda de velhos), falou apenas uma coisa que me fez cascar o bico: “Tiozinho é o caralho”!!
Diante de tão “singelas” declarações, só posso dizer o seguinte: se eu envelhecer que nem o Nazi e o restante dos caras do Ira!, fico feliz! Mas dispenso o pó...

Supergrass – Finalmente, o show mais esperado da noite, pela grande maioria dos que lá estavam. Tão esperado que uma das minhas novas amizades feitas durante o show (uma guria que veio de Porto Alegre), pediu encarecidamente pra ficar na grade durante o show dos caras. E eu, como bom cavalheiro que sou, disse sim! Mas, como fiquei logo atrás dela, nem reclamei. Dava para ver direitinho todo o show.
E foi um bom show, sinceramente. Novamente lamento o fato de não ter escutado uma coletânea deles (Supergrass is 10 – best of 94 – 04) antes de ter ido no show, teria aproveitado bem mais. Tocaram poucas músicas do Cd novo (Road to Rouen, um bom Cd), dando preferência para os clássicos. E não, não tocaram Alright, ok!
O que mais me espantou foi que a galera, normalmente super agressiva, se comportou direitinho no show deles, não houve muito empurra empurra, graças a Deus! E, no geral, o show do Supergrass não foi um super show, no meu ponto de vista. Foi um show bom, competente, e ponto final. Deu pra empolgar na medida certa, mas não vai ser um show inesquecível pra mim, como foi o do Arcade Fire no saudoso Tim Festival de 2005.

Fixmer & McCarthy – Era o show que eu tava mais curioso pra ver. Como sabem, eu gosto de som gótico, e uma das vertentes musicais que toca em baladas góticas é um estilo conhecido como EBM, uma mistura de letras violentas, batida industrial e som eletrônico. E havia uma banda nos anos 90 e comecinho do século XXI chamada Nitzer Ebb, que era uma das melhores nesse estilo.
Pois bem, McCarthy era o vocalista dessa banda, e se juntou a um DJ francês (Fixmer) para fazer, digamos assim, uma releitura do EBM, principalmente do seu trabalho no Nitzer Ebb. O que ele fez, no final das contas, foi mais simples do que eu imaginava: ele simplesmente deixou mais techno o EBM! Fez meio que versões techno do som do Nitzer Ebb, o que pra muitos já seria motivo suficiente para se torcer o nariz.
Eu, no entanto, não fui um desses. Mesmo porque o som que eles fizeram nem difere tanto do que o Nitzer Ebb fazia. Dançante e violento do mesmo jeito, com batidas fortes e letras mais fortes e violentas ainda. Ou seja, no final das contas, Fixmer e McCarthy é uma versão 2005-2006 para o Nitzer Ebb. Mais do mesmo, como diria um amigo meu.
Só que esse mais do mesmo acabou fazendo a galera que ficou ali depois do show do Supergrass dançar até o fim! Eu, inclusive! A dupla conseguiu cativar a galera, que dançou do começo ao fim, sem parar! Aliás, eles começaram o show com um dos clássicos do Nitzer Ebb, Join the Chant, uma das minhas preferidas, diga-se de passagem.
Porém, uma pergunta fica no ar: durante o show, McCarthy ficava andando de um lado pra outro falando sozinho, enquanto Fixmer mandava brasa na parte eletrônica. O que diabos será que ele tava falando? Será que o cara é louco, tava reclamando do som novamente ou tava se perguntando onde tinha deixado a garrafa de scotch? Mistério mistério... que só é superado por um mistério...

David Carretta - ... ONDE FOI PARAR O SHOW DO DAVID CARRETTA?!?!? Esse foi o mistério da noite! Eu tava achando que a noite iria acabar com o som desse DJ francês, que fecharia a noite logo depois do Fixmer & McCarthy! Mas... cadê? Tou procurando até agora...

Resumo da Ópera – Valeu a pena gastar R$ 40,00 (mais as despesas de viagem) para ver o Campari Rock. Ano que vem, dependendo do que venha, tou indo de novo!! E agora, é esperar os próximos shows. E, pelo visto, vem coisa boa ainda nesse ano... aguardem!

1 Comments:

Blogger Angélique said...

Isso aqui funciona? :o

1:46 AM  

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